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SADE: DA NIGÉRIA PARA O MUNDO

Sucesso de público e de crítica, cantora nigeriana é sinônimo de qualidade e sofisticação musical

No mundo da música, a década de 80 do século passado foi marcada pelo aparecimento de mega-stars dos palcos. Michael Jackson, Madonna, Prince foram alguns dos artistas que dominaram a cena pop mundial, vendendo milhões de cópias de discos e lotando estádios ao redor do planeta. E, nessa mesma década, surgiu para o público uma das cantoras que figuraria como uma das mais completas e admiradas do mundo. Helen Folasade Adu, mais conhecida por Sade, é uma daquelas poucas cantoras que conseguem aliar, dentro do repertório musical, sofisticação, bom gosto junto a um indisfarçável apelo pop. Com seis álbuns gravados e diversos prémios conquistados ao longo de quase vinte e cinco anos de carreira, a sua música flerta com o Jazz, soft rock, funk e é referência para todos os amantes da música de qualidade e com extremo requinte.

Inspiração em Marvin Gaye

Nascida em Ibadan (Nigéria), Sade partiu para a Inglaterra com sua mãe após a separação dos pais, aos quatro anos. Sade passou sua vida tentando sentir-se honesta e verdadeira, por achar que estas são as coisas mais importantes. Na juventude, costumava ouvir Curtis Mayfield e Marvin Gaye, tida por ela como um dos poucos cantores realmente sintonizados com as complexas sensibilidades das dores do coração e capazes de criar coisas belas a partir delas. Nessa época, ela não pensava em ser cantora. Seu sonho era ser estilista e, por isso, estudava moda. Começou a cantar por acaso, quando amigos de colégio a convidaram para integrar sua banda até conseguirem um vocalista. Foi então que ela tomou gosto pela composição e escreveu com Ray St. John um de seus maiores hits: Smooth Operator.

Em 1984, seu primeiro single Your love is king chegou ao top ten e Sade, abrupt mente, tornou-se um ícone. Suas músicas permanecem no coração e na mente das pessoas por um longo tempo.Talvez es seja um dos motivos dos quais, apenas um ano depois de seu primeiro single, ela ter se transformado numa das raríssimas cantoras a estampar a capa da revista americana Time. Desde o começo, sua música transcendia o momento.

Rumo ao sucesso

De fato, com o lançamento de Diamond Life, Sade passou a falar com uma audiência global.Trazendo as faixas Your love is king, Smooth Operator e Hang on to your love, o álbum ficou 98 semanas na paradas inglesas e 81 semanas, na revista Billboard (revista responsável pela divulgação da para de sucessos nos Estados Unidos), o que valeu à Sade o Grammy de Artista Revelação. O segundo álbum, Promise (1985), não deixou nada a dever ao primeiro e emplacou Is it a crime e The sweetest taboo, uma das músicas mais tocadas na história do rádio. Como seu antecessor, este também foi um álbum multi-platinado; em todo o mundo.

Três anos depois, em 1988, Sade gravou Stronger than pride, que tinha as memoráveis Paradise, Love is stronger than pride e Nothing can come between us. Este álbum desencadeou uma mega turnê, passando pela Europa, Austrália e Japão, além de estádios americanos, demonstrando a diversidade de seu público. Para uma artista que já criou músicas para dançar de rosto colado, trilhas sonoras, sucessos radiofónicos e canções de amor, definitivamente, rótulos não lhe caem bem.

Como acontece com as pessoas públicas, é grande a curiosidade sobre a vida particular de Sade, seu modo de vida e de onde vem sua inspiração. Sade, entretanto, mantém seu caráter firme e só aceita entrevistas quando realmente tem algo a dizer. Morando temporariamente em Madri, Sade recusa o mito de tímida e diva reclusa, fazendo questão de deixar claro que apenas prefere passar mais tempo entre amigos do que com jornalistas.

Cinquenta milhões de álbuns vendidos

Em 1992, Sade gravou Love Deluxe. Tanto a crítica quanto o público aclamaram o álbum pela sinceridade ali expressa. Resultado: Love Deluxe ficou 90 semanas na Billboard, puxado pela faixa No ordinary love, tema do filme Proposta indecente, estrelado por Robert Redford e Demi Moore. Em 1994, ela lançou Best ofSade, coletânea de 16 faixas que reuniu as melhores músicas já gravadas pela cantora.

Depois de oito anos afastada do showbiz e de 50 milhões de álbuns vendidos, Sade não mudou em nada sua forma de encarar a vida e não é preciso muito esforço para reconhecer isto. Logo na primeira audição, é possível perceber toda a sensibilidade que permeia o disco, da acústica Sweetest gift à pungente AH about our love. Em Lovers rock, Sade continua a descrever os murmúrios do coração e seus desejos mais secretos, mantendo-se sempre verdadeira e presente em seu trabalho. Lovers rock foi gravado entre a Inglaterra e a Espanha. Suas 11 faixas foram escritas, arranjadas e produzidas por Sade e co-produzidas por Mike Pela, com quem a artista trabalhou em todos os seus álbuns anteriores. Em 2002, ela lançou Lovers Live, coletânea com músicas gravadas ao vivo.

Discografia:

Diamond Life - Ano de lançamento: 1984
Promise - Ano de lançamento: 1985
Love Deluxe - Ano de lançamento: 1992
The Best Of Sade - Ano de lançamento: 1994
Lovers Rock - Ano de lançamento: 2000
Lovers Live - Ano de lançamento: 2002

O BRASIL NA ÁFRICA

Diplomata mostra, em projeto, a existência de hábitos do Brasil levados por ex-escravos brasileiros que retornaram à África.

O doloroso período escravocrata deixou marcas indeléveis dentro da sociedade brasileira. Há inúmeros estudos que atestam a importância da composição dos povos africanos, que aqui embarcaram como escravos por mais de 250 anos de tráfico, e que até hoje ajudam a formar a identidade nacional. O que pouco se sabe é que em determinados espaços do continente africano, aspectos culturais brasileiros estão fortemente presentes c ajudam a compreender a relevância dos contatos históricos firmados ao longo do tempo entre o Brasil com a África. O mais curioso, contudo, é saber que a influência cultural brasileira se deu por intermédio do processo de "retorno" de ex-escravos brasileiros, que libertos, decidiram rumar à África. Os retornados não só levaram com eles a vontade de regressar à terra-mãe dos o seus antepassados, mas também trouxeram hábitos adquiridos no Brasil e que até hoje se fazem sentir em quatro países africanos: Nigéria, Benin,Togo e Gana.Essas informações e outras estórias podem ser encontradas no projeto Cartas d'África, desenvolvido pelo diplomata de carreira Carlos da Fonseca e que relata como os "brasileiros", descendentes de escravos nascidos no Brasil que retornaram à África em meados do século XIX, ainda mantêm as tradições socioculturais brasileiras. Fonseca explica que o projeto está dividido em três frentes: fotográfico, histórico e "epistolar", que se concentra nas cartas dirigidas aos brasileiros em geral e a seus parentes (pessoas de mesmo sobrenome que residam no Brasil) em particular e que deu nome ao projeto.

De acordo com Fonseca, a ideia surgiu após viagem realizada à África, no final da década de 1980, quando descobriu a existência de uma comunidade que se definia como "brasileira" no Benin."Ainda não havia lido nada a respeito. Depois me dei conta de que já havia farta literatura a respeito. Resolvi pesquisar o assunto", disse Fonseca, em entrevista à Revista da FCCE. Anos mais tarde, mais precisamente em 1999, surgiu uma nova oportunidade de viajar ao continente africano, dessa vez para fazer uma reportagem para o Correio Braziliense. Ao todo, o diplomata realizou três viagens para e ficou surpreso com que encontrou nesses países, em matéria de cultura e hábitos brasileiros. "A manutenção da culinária e de algumas expressões em português usadas no cotidiano chamou bastante a minha atenção. Verifiquei que as famílias visitadas comem feijoada, cuzcuz, arroz doce, carne seca (quando encontram). A língua Ewê, do Benin, incorporou palavras como cadeira, mesa, molho. No dia-a-dia, muitos ainda usam saudações como bom dia, boa tarde. Além disso, preservam algumas importantes tradições religiosas e folclóricas brasileiras, como a festa de Nosso Senhor do Bonfim (no Benin) e, por ocasião dessa data, o bumba-meu-boi (burrinha)", disse. Para o diplomata, que atualmente trabalha no Instituto Rio Branco, o Benin e a Nigéria são os países nos quais a tradição é mantida de forma mais viva. "NoTogo houve, por razões políticas, uma reação contrária às famílias "brasileiras", muitas das quais fugiram. Em Gana, a comunidade Tabom tem especifïcidades próprias, que nada têm a ver com o resto dos 'brasileiros'", declarou.

Brazilian Quartet

Fonseca conta que visitou cerca de 50 famílias. Entre as histórias ouvidas e pesquisadas, a família Souza no Benin seja talvez a mais cinematográfica. "Um filme já foi, inclusive, feito sobre o personagem central dessa família (Francisco Félix de Souza): Cobra Verde, do diretor alemão Werner Herzog, em 1987. No filme, o personagem leva outro nome, mais é o mesmo", disse. O baiano Francisco Félix de Souza nasceu em 1771. Filho de um português com uma escrava, aquela transgressora união que tanto incendiou as carnes por estes trópicos, o mulato acabou alforriado e, aos 17 anos, tomou a decisão que moldaria a vida de várias gerações seguintes: mudar-se para a terra de seus antepassados, a África. Assim, em 1788, Francisco Félix de Souza desembarcou em Benin e, por ironia do destino, tornou-se um próspero traficante de escravos. Morreu aos 94 anos, teve 53 mulheres, oitenta filhos e 12 000 escravos, deixando aos herdeiros um fabuloso império de 120 milhões de dólares, em dinheiro de hoje.

Um outro ponto da pesquisa a receber grande destaque é o bairro nigeriano chamado Brazilian Quartel, localizado na cidade de Lagos, ex-capital da Nigéria. O Brazilian Quartet trata-se do bairro criado pêlos retornados a partir do final do século XIX. Grandes e ricas famílias "brasileiras" viviam em casarões de muitos quartos. "Hoje sobraram apenas famílias mais pobres. As demais saíram de lá e foram para partes melhores da cidade. Para o futuro, Fonseca disse que ainda pretende continuar pesquisando o assunto, especialmente para tentar descobrir ramos de famílias de retornados que ficaram no Brasil. "Há três famílias com membros aqui e lá (Nigéria), que se conhecem e se comunicam. Aparentemente, haveria também outras que costumavam se comunicar, mas que foram se distanciando com o tempo. Quero ver se descubro algumas delas", afirmou, acrescentando que, em maio de 2008, ele promoverá uma exposição com fotos e relatos das famílias "brasileiras" africanas

Embaixada da Nigeria
Brasilia/DF - Brasil